sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Agressividade: Personalidade ou Sintoma de uma doença?



Bem, todos nós temos a agressividade como característica da nossa personalidade. Uns com mais ênfase, outros com menos. Uns com agressividade ao outro, outros com a agressividade a si mesmo. O que vai diferenciar de uma agressividade com ou sem prejuízos para a pessoa é o nível que a agressividade se encontra. Se estiver trazendo problemas para a pessoa, é indicado que se inicie o  tratamento com o psicólogo (e/ou psiquiatra).

“Ele/a tem um gênio difícil”

E então todos evitam irritá-lo. Se acostumam evitar muitas coisas para não despertar a agressividade da pessoa. Isso gera reforço positivo ao agressor e pode ficar insustentável. Será que ele vai ter essa proteção em todos os ambientes que passará?
È sofrido ser agredido né? Mas você sabia que a pessoa que agride também pode estar sofrendo? Ela pode se sentir culpada por não ter conseguido de novo controlar seu impulso agressivo. Ela pode ter tentado sem conseguir reestabelecer o controle, ela pode ficar cega de raiva, ou seja, não enxerga mais nada, só o objeto de ataque. Tem uma coisa dentro que a faz colocar aquilo para fora. Enquanto não coloca para fora, não se acalma. (ex. a pesso com TEI (transtorno explosivo intermitente).

Explode, e fica quieto? Sensação de alívio? De culpa? De Remorso?

Não é normal ser agressivo, normalmente esse comportamento traz prejuízos para a pessoa que provoca a agressividade e para a pessoa que é agredida.

Aqui não falamos só de agressão física, as agressões verbais muitas vezes são tão dolorosas como as agressões físicas. As agressões demonstram um descontrole emocional. As agressões físicas são mais contidas, assim, a agressão verbal ocorre numa proporção muito maior que a agressão física.

Surpreendentemente existe um grande número de doenças que têm a raiva e irritabilidade como sintomas ou, certos medicamentos também podem evidenciar estes traços da personalidade.

Hipertiroidismo; Colesterol alto; Diabetes; Alzheimer;Inflamações no fígado; Acidente Vascular Cerebral, são doenças que podem alterar a produção da serotonina que é a substância responsável pela sensação de bem estar, e nessa fase, a irritabilidade e agressividade podem se manifestar fortemente.

  Mas, vamos falar 6 situações que podem despertar a agressividade:

ü  TAB – transtorno afetivo Bipolar traz implicação no contexto social e familiar pois  provoca mudanças de comportamentos repentinos. Centrado nas alterações do humor, subdividindo-se em dois polos da doença: o humor depressivo e o humor eufórico, também caracterizado como a fase de mania da doença”. Entretanto, não é apenas o humor que sofre alteração no TAB, algumas funções cerebrais também sofrem alterações como as que estão relacionadas com os ritmos biológicos, entre eles a impulsividade.

ü  TEI – Transtorno explosivo intermitente: Caracterizada por ataques de fúria, caracterizado por um comportamento agressivo desproporcional à situação. Nesses casos é comum a briga de trânsito. A pessoa com TEI assusta fortemente quem está por perto, pois as explosões comportamentais são resultantes de uma falha em controlar impulsos agressivos. É como se virasse uma chave na pessoa.

ü  Depressão: a doença não é expressada somente pela tristeza, mas também pela irritabilidade. "Outros sintomas podem ser também raiva, agitação e irritação", disse o Dr. Paul Blenkiron, psiquiatra do Bootham Park Hospital. Estas características são apontados particularmente nos homens, pois eles experimentam menos os sentimentos de falta de esperança e descontentamento com si mesmos do que as mulheres. "Esta forma extrema de depressão afeta 5% das pessoas que têm a doença. Inquietação, insônia e pensamentos negativos também são outros sintomas", explicou a Dra Stokes-Lampard.Como a depressão também é relacionada aos níveis de serotonina no corpo, o tratamento envolve antidepressivos ou terapias alternativas, para tentar afastar os pensamentos negativos.

ü  Tricotilomania: entenda a compulsão por arrancar os cabelos. Pessoas com tricotilomania tiram não apenas os fios do couro cabeludo, mas também do púbis, das sobrancelhas e dos cílios; em muitos casos, a patologia aparece com sintomas de depressão e ansiedade. Vários nem sentem dor ao arrancá-los. Típico da tricotilomania é também o ato de “brincar” com os cabelos arrancados. Os pacientes os passam sobre os lábios, colocam na boca ou os enlaçam entre os dedos.

ü  Tensão Pré-Menstrual (TPM): as mulheres sempre passam por "aqueles dias do mês" em que as emoções ficam, muitas vezes, incontroláveis, com picos de raiva e depressão, mas há uma explicação para isso. A síndrome pré-menstrual acontece quando os níveis dos hormônios, como estrógeno e progesterona, caem no fim do ciclo menstrual, geralmente na semana antes da menstruação. "Apesar do mecanismo não ser totalmente entendido pela medicina, este resultado parece ter um efeito devastador sobre a serotonina", disse a Dra. Stokes-Lampard, especialista em saúde da mulher. O mesmo processo pode acontecer também na menopausa, também devido a queda do estrógeno.

ü  Insônia: dormir mal é uma das causas gerais de distúrbios de comportamento, mas alguns remédios usados para tratamento de insônia podem ativar uma agressividade excessiva, segundo o professor Bazire. As benzodiazepinas, que às vezes são prescritas também para controle de ansiedade, trabalham na desaceleração das funções cerebrais e, mesmo afetando 1% dos usuários, pode transformar personalidades já com características de irritabilidade ainda mais agressivas. Trocar o medicamento é a melhor solução



Assim, existem comportamentos que podem ser mudados para a pessoa aprender a reagir de outra forma e ter controle sobre seu comportamento. É o que se faz na terapia cognitivo comportamental. Algumas vezes pode ter a compulsão e pode ser necessário um tratamento medicamentoso em paralelo ao tratamento com o psicólogo. Em todas as situações acima citadas, conhecer como cada um funciona, o que vira a chave para despertar a agressividade, quais os mecanismos de defesa que a pessoa usa, técnicas de mudança de comportamento para controle dos impulsos, fazem parte do tratamento.

É possível voltar a ter controle sobre seu comportamento e a vida fica muito mais feliz quando você a conduz, quando você sabe a direção que quer levá-la.

Um abraço,

Psicóloga Ednea Dias

sábado, 19 de novembro de 2016

Penso demais... Da Obsessão à Indiferença






Você sabia que pensar demais pode ser um sintoma? Sabe aquele pensamento que não sai da cabeça? Ou sabe aquele cérebro que não pára de trabalhar, pensa o tempo todo, tudo é um estímulo?
Bem, estamos falando dos pensamentos obsessivos, são os pensamentos que cansam, segundo o dicionário Aurélio, é a preocupação exagerada com alguma coisa; apego excessivo a uma mesma ideia; ideia fixa.
A ideia de "obsessão" é que você não pode se concentrar em outra coisa que não um problema específico (ou algumas questões), e não importa o quanto você tente, você não consegue livrar-se dele. Muitas pessoas têm esses pensamentos sem possuir um diagnóstico, pode fazer parte da fase que está passando, por isso, depois do tumulto do momento, tudo volta ao normal. Tem pessoas que vivem assim e é muito difícil identificar que pode ser sintomas de algum diagnóstico. Seguem alguns exemplos de diagnósticos que têm como sintoma o pensamento obsessivo:

TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada:
Quando a pessoa tem um evento (festa, viagem, prova) e não pára de pensar nele, ganhando dificuldade de concentração em outras coisas or conta desse evento. Normalmente esses pensamentos são de medo de que algo dê muito errado ou de insegurança ou de alegria.

TOC – Transtorno Obsessivo-compulivo
Pensamento obsessivo é a marca do transtorno obsessivo-compulsivo A pessoa segue alguns rituais de pensamentos e comportamentos e é obrigada a agir de acordo com o pensamento, mesmo entendendo que é um pensamento distorcido. Ela segue uma lógica e se não o fizer assim, se perturba muito, fica com medo, com excesso de preocupação e acredita que ela pode mudar aquele risco eminente que algo trágico possa acontecer.
Fobia
Os pensamentos obsessivos provocam medo intenso. A pessoa se vê em situação vexatória. A pessoa pensa no cenário trágico de alguma situação. Vou desmaiar na frente de todo mundo, vai dar branco na hora da apresentação, todo mundo vai rir de mim... etc
Então, para essas pessoas, os dias que antecedem ao evento fóbico são terríveis, angustiantes.

Transtorno de Pânico
Na síndrome do pânico, a pessoa começa a temer os ambientes que teve a crise. Os pensamentos obsessivos acontecem antes de ter que enfrentar um ambiente ou situação que tenham medo.
Na hora da crise os pensamentos obsessivos de medo de morrer são fortíssimos, desgastantes demais. É difícil ouvir um profissional falar que você nõ tem nada, quando você sente sintomas.
O medo de ter novas crises faz com que ele pense muito nelas.

Transtorno de Estresse Pós-Traumático 
Aqueles com TEPT muitas vezes encontram-se obcecados com o trauma que experimentaram, ou a crença de que o trauma irá ocorrer novamente.
Os pensamentos ficam fortes pois a pessoa passa a ter um medo enorme de passar pela mesma situação. De sentir novamente o que sentiu. De que um ente querido passe por isso, etc Nesses casos a pessoa pode chegar a paralisar ou trazer algum bloqueio por conta dos pensamentos obsessivos.


Da Obsessão à Indiferença...
Em todas as situações, o pensamento é muito forte, repetitivo ou circulatório, desgastante, cansativo demais, e tira a tranquilidade da pessoa. Normalmente, além de persistentes, os pensamentos são negativos.  É quase impossível parar de se concentrar em coisas que você não quer se concentrar, você perde o controle de seus pensamentos.
A pessoa luta par tornar esse tema indiferente mas não consegue, os pensamentos surgem a todo momento.
Os pensamentos podem ser diferentes mas têm a mesma consequência: Todos causam sofrimento significativo.
  É fácil deter esses pensamentos?
 Infelizmente, muitas pessoas falam, simples, só é não pensar nisso.
Não, não é nada simples controlar os pensamentos pois os pensamentos obsessivos fogem do nosso controle. Numerosos estudos científicos têm demonstrado que tentar "não" pensar em algo realmente faz o efeito contrário, você pensa mais ainda e se culpa por não conseguir. Isso porque o cérebro o mantém um alerta do proibido, fazendo você lembrar dele. É uma estranha forma de funcionamento do cérebro, que torna difícil para alguém que quer acabar com seus pensamentos obsessivos, pará-los.
  
Como se livrar dos pensamentos obsessivos

·                    O primeiro passo para isso é compreender o surgimento de sua ansiedade. E trabalhar esse problema (medo? Insegurança? Trauma? ).
·                    O conhecimento de que se trata de algum diagnóstico pode ajudar a diminuir a culpa e vergonha. Ninguém é culpado de estar com alguma dificuldade emocional.
·                    Aprender novos hábitos do bem viver no caso das ansiedades: Tente escrever esses pensamentos em algum tipo de caderno ou diário. Sua mente tem uma tendência a se concentrar em pensamentos persistentes com menos frequência quando se sabe que eles estão sendo mantidos em um lugar permanente.
·                    Aceitação de que esses pensamentos fogem de seu controle e deve-se tentar outros meios de voltar a controlá-los.
Ter que assistir um filme para parar de pensar, ter que dormir, ter que jogar... Você não é obrigado a fazer coisas para fugir de seus pensamentos a vida toda. Por um tempo pode até ser uma técnica de mudança para diminuirem os pensamentos obsessivos, mas vamos em busca do tratamento e não apenas da fuga.
Não é normal continuar vivendo assim, você pode voltar a ter tranquilidade.
Sim, e possível voltar a ter o domínio de seus pensamentos, a terapia cognitivo comportamental busca técnicas de mudanças de comportamento e é uma grande aliada para chegar nessa reconquista. 

Um abraço, até a próxima,

Por Psicóloga Ednea Dias

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A pessoa pode escolher ficar doente ou não? Depressão e Pensamentos Suicidas



A depressão e o suicídio estão fortemente relacionados. 



Os pensamentos suicidas vêm: Ora mais sutis (vontade de sumir, fugir, desaparecer), ora mais fortes (vontade de morrer, de se jogar, de acabar com tudo)

Quantos jovens, para mostrar que são fortes, acabam cometendo atos suicidas sem consciência do risco que se coloca?

Assim, o pensamento suicida é amplo, consciente ou inconsciente.

"Em alguns casos um depressivo sente uma culpa por sentir o que sente, por pensar o que pensa. Essa sensação de ser um fraco algumas vezes pode levá-lo a pensar que não vai ter solução e pode fazer com que ele queira terminar com tudo isso que sente”

Lutar todos os dias, sem mudança nenhuma cansa muito”,  
“Cansei de lutar”,
“Sou um peso na vida das pessoas”
”Sou uma decepção para meus pais”
”Não queria ser fraco assim”

São frases constantes no atendimento de pacientes com depressão... o mais repetitivo é relacionar a depressão à fraqueza.

Vamos lá... A depressão é uma doença, certo? A doença é opcional? A pessoa pode escolher ficar doente ou não? Temos esse controle?

Essas perguntas são dirigidas às pessoas que estão com depressão, e para os entes queridos, pois, percebo que os dois têm dificuldade para compreender esse diagnóstico. Sim, até mesmo o próprio paciente entra em contradição, se envergonha e acredita que é culpado por não conseguir realizar as atividades como qualquer pessoa o faria. 

Voltando aos questionamentos iniciais:  A depressão é uma doença, certo? A doença é opcional? A pessoa pode escolher ficar doente ou não? Temos esse controle? Resposta: Não. Não podemos escolher ter ou não ter uma doença. Podemos sim escolher fazer ou não fazer o tratamento.

A maior dificuldade em compreender a doença se mostra na dualidade que a pessoa vive.  Se está bem fisicamente, se força a estar psicologicamente, e tem que fazer suas coisas normalmente.
Eu não estou com o braço quebrado, por que não consigo organizar minhas coisas, minha mesa, arrumar a casa ? 

Eu não estou com febre,  por que quero voltar para casa para ficar deitado?

Fisicamente está tudo bem com a pessoa e isso a leva a crer que ela está capacitada a exercer suas funções normalmente, como qualquer outra pessoa. Esquece que se trata de uma doença emocional (e não física). Os sintomas da doença não são visíveis por fora, pois eles se mostram internamente (redução de um neurotransmissor – serotonina,   pensamentos e sentimentos inadequados ).
Pense comigo:  Se uma pessoa com epilepsia tem uma crise e desmaia, ela deve ser ajudada correto? Ela tem uma doença e teve uma crise, ela não tem culpa por ter tido uma crise em qualquer dia ou em qualquer lugar. Ela precisa se reestabelecer, seguir seu tratamento ou procurar seu médico, e,  provavelmente, não vai trabalhar naquele dia.
Vamos agora pensar na pessoa com depressão que teve uma crise, nesse caso ela precisa ser ajudada, certo? Ela tem uma doença e teve uma crise, ela não tem culpa por ter tido uma crise em qualquer dia ou em qualquer lugar. Ela precisa se reestabelecer, seguir seu tratamento ou procurar seu médico, e,  provavelmente, não vai trabalhar naquele dia.
Percebem como é importante seguirmos o padrão nos dois casos? Se trata de doença e todas as doenças exigem um tratamento.
O que muda nesses exemplos?            Doença (Neurológica)      x   Doença (Emocional) .
Insisto: Doença X Doença . Por que uma deve ser menos valorizada do que a outra?

Um diagnóstico de depressão, é uma doença que traz sintomas.  Enquanto as pessoas não identificarem os sintomas da doença, vão demorar para buscar tratamento e o quadro pode se agravar.
Seguem alguns exemplos de queixas frequentes das pessoas relacionadas com sintomas da doença. Isso não significa que se a pessoa tiver um sintoma ela tenha o diagnóstico. O diagnóstico é feito por psicólogos ou psiquiatras, seguindo os critérios de diagnóstico da organização mundial da saúde. Esses exemplos servem apenas para elucidar a necessidade de buscar um especialista, caso se identifique ou identifique alguém nesse estado emocional. A parte escrita em preto são algumas queixas que ouço e a parte escrita em azul são alguns dos sintomas da depressão, segundo a OMS (organização mundial de saúde).
·         Angustia,  vontade de ficar só, não ter vontade de conversar, as pessoas percebem você quieto, diferente...
(1) humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, indicado por relato subjetivo (por ex., sente-se triste ou vazio) ou observação feita por outros (por ex., chora muito).
Nota: Em crianças e adolescentes, pode ser humor irritável

·         A preguiça pode ser vista como um desânimo, sem vontade de fazer nada, nem aquelas coisas que sempre gostou de fazer:
(2) interesse ou prazer acentuadamente diminuídos por todas ou quase todas as atividades.
    
·         Dificuldade de trabalhar pode ser um sintoma de confusão, dificuldade de iniciar e terminar as atividades, se perde no que está fazendo...
(8) capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se, ou indecisão, quase todos os dias (por relato    subjetivo ou observação feita por outros).

·         Pensamento de acidentes, pensamento de medo de se ferir, pensamentos de medo de agredir...
(9) pensamentos de morte recorrentes (não apenas medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio.

     Segue o link de todos os critérios de diagnóstico, segundo a OMS
                           http://diasparaviver.blogspot.com.br/2016/04/a-depressao-e-algo-incapacitante.html


Depressão e Suicídio:

O agravamento de crises de depressão é um dos diversos processos dos pensamentos suicidas.  A falta de expectativa do tratamento, a descrença em ter de volta a vida saudável.

E se algum ente querido falar que pensou em se matar, o que fazer? 

·         Encaminhá-lo imediatamente a especialistas (psicólogo e psiquiatra);
·         Entender o risco de se matar.
·         Ouvir tudo sobre o pensamento suicida : O que  levou a pensar assim, desde quando tem esse tipo de pensamento, já pensou em como seria o suicídio, dia e horário ais frequentes dos pensamentos... etc
·         Perguntar a ele o que gostaria que você fizesse. (Cada pessoa se sente bem com um tipo de comportamento, uns preferem que você o acompanhe o tempo todo que puder, outras preferem que o faça quando ela solicitar, etc).
·         Incentivá-la a fazer atividades que tragam o bem estar para ela (cozinhar, praticar esportes, fazer trabalhos artesanais, cantar, tocar, caminhar, dançar, etc).

Muitas pessoas julgam que alguém queira chamar a atenção quando fala em se matar.
Todo mundo que fala em se matar deve ser ouvido! Deve ser encaminhado a especialistas.

Bem, sei que o tema é difícil de abordar mas é necessário. O risco é real. Com atitudes positivas podemos fazer a pessoa sentir que pode ser diferente, que há luz no fim do túnel, que o fim do poço pode ser o impulso para sair do buraco.

Um abraço demorado,

Psicóloga Ednea Dias



quarta-feira, 26 de outubro de 2016

PANE NO SISTEMA, ALGUÉM ME DESCONFIGUROU...PÂNICO/ANSIEDADE





 PANE NO SISTEMA, ALGUÉM ME DESCONFIGUROU...PÂNICO/ANSIEDADE
Resolvi  falar da síndrome do pânico por ter sido o maior motivo de busca de tratamento na clinica nesse mês. Em segundo lugar de procura desses últimos dias foi a depressão com pensamentos suicidas... deixamos esse tema para a próxima semana.
Vamos começar por um ponto mega importante, entender o que se passa com uma pessoa que está tendo uma crise de pânico. E por que ela não reage quando as pessoas dizem que é coisa da mente dela.
Case 1)
O que acontece quando um cachorro raivoso avança em sua direção e você não tem para onde correr? Imediatamente seu corpo fala e em 1 segundo você se transforma em puro desespero: O coração dispara, as pernas somem, a respiração fica ofegante, frio na barriga... o que mais acontece? Pensa que já era, que algo muito ruim vai acontecer... aquilo não pode acabar bem... Essas são reações  normais do corpo e mente frente ao perigo.  Sintomas físicos e emocionais te envolvem por completo, vê o medo, a ansiedade, os sintomas, tudo junto, misturado, sem controle. Mas, então, antes que algo ruim aconteça, o dono do cachorro aparece e tudo vai voltando ao normal, que alívio gostoso. O perigo acabou.
Case 2)
Medo de morrer + sintomas.
E então, sem que nada aconteça, um monte de sensações desconfortáveis, ou melhor , desesperadoras tomam conta da mente, e mais, do corpo.  A sensações físicas são reais... Palpitações, dor no peito,  falta de ar, queimação, tontura, formigamento, dor de cabeça, não, isso não é só dor, é uma pressão muito forte na cabeça, um mal estar, nossa, quanto mal estar. 

 
Bem, todo mundo teria ansiedade numa situação do case 1. Na ansiedade que todo mundo sofre o corpo emite reações naturais frente ao perigo. Qual a diferença nisso tudo? O estímulo.
Case 1 e case 2 trazem sintomas parecidos porém  o case 1 tem um estímulo para as sensações (ataque do cachorro) e o case 2 não tem um estímulo que justifique essas sensações, se refere ao ataque de pânico. Sintomas sem estímulo proporcionais às sensações, e, muitas vezes, sem estímulos. Imagine você, sentir tudo que você sente num ataque de cachorro, mas sem que exista o ataque do cachorro, sem que exista nada que justifique você começar a ter sintomas físicos. Entende por que quem passa por um ataque de pânico não vai se acalmar quando você falar que é coisa da mente dele? O que ele sente tem mais poder do que o que você fala. Ele perdeu o controle sobre o corpo, o medo o aterroriza, acredita que está prestes a ter um infarto pois sente seu coração acelerado, falta de ar, ou acredita que a pressão forte na cabeça e por que está tendo um AVC ou que tem um tumor na cabeça, enfim, acredita que está prestes a morrer. Pensa em tudo que vai deixar, o que tem para fazer . É, caros leitores, é muito sofrido passar por isso, só em descrever já me sensibilizo com essas pessoas.
Você sabia que, apesar das sensações reais de falta de ar, menos de 50% dos casos apresentam de fato reduções reais dos valores respiratórios de dióxido de carbono durante ataques de pânico?
“ A ansiedade é um recurso extra para lidar com situações difíceis. Auxilia você a lutar ou fugir quando se defronta com o perigo, e o medo decorre muito mais de uma interpretação errada ou distorcida das sensações físicas do que de algum perigo real“                                                    (Manfro, Heldt e Cordiolli, 208 p. 438)

Certamente, quando os sintomas passarem, essa pessoa vai querer se consultar com médicos especialistas e quando esse falar que está tudo bem fisicamente, vai duvidar, vai buscar uma segunda ou terceira opinião... 6 meses depois vai querer repetir os exames... etc
Como ajudar uma pessoa com ataque de pânico?
Ø  Direcione-a para a posição mais confortável para ela.
Ø  Fazer massagens nas mãos, ombros, costas, onde ela se sentir mais confortável (algumas pessoas têm a necessidade do toque nesse momento, segurar as mãos, abraçar, etc)
Ø  No momento fazer a respiração diafragmática e pedir que ela faça com você.
Ø  Dar água ou chá de ervas calmantes (caso a pessoa não tenha nenhuma restrição).
Ø  Se tiver indicação médica de calmante, ajudá-la a tomar o calmante.

Bem, o tratamento com psicóloga que atue na  linha cognitivo comportamental é super bem vindo pois o paciente vai entender como ele funciona, seus gatilhos para desencadear a crise e como evitá-las. Aprende que nem todas as vezes que o coração dispara evolui para a crise ... aprende a voltar a ter o controle sobre seu corpo. 


Leia também sobre os critérios de diagnóstico para a síndrome do Pânico, segundo a organização mundial da saúde (OMS):
http://www.diasparaviver.com/blog.html      -   Síndrome do Pânico: Conjunto de Sintomas físicos e psíquicos sem causa aparente (levando ao medo de morrer ) 27 de Abril, 2016



Livros indicados: 


Um abraço,
Por: Psicóloga Ednea Dias